Mas e agora? O que fazer com tudo isso?
Vamos tentar resolver a questão do "ser" pai.
O que eu quero e espero do meu filho, se mal consigo passar 2 horas por dia com ele?
O que ele precisa e eu não consigo dar?
Amigos, brincadeiras, cuidados, atenção, passeios, férias, etc......?
Ohhhh!! Abençoada geração que inventou a escola em período integral. Era tudo que se precisava.
Meu filho terá agora muitos amigos, conhecimentos amplos, aulas com atividades pedagógicas direcionadas, línguas, esportes e muito mais que eu puder pagar para que meu filho não tenha um dia entediante sem a minha presença. Isso tudo irá prepará-lo para o futuro.
Que beleza, não? Mas quantos anos tem mesmo o seu filho? 2, 3, 4, 5...?
Tente se lembrar o que você fazia na idade dele. Com toda certeza na sua época mal existiam escolas em período integral, e no seu tempo livre você brincava na rua, construía seus próprios brinquedos ou pelo menos usava a sua imaginação para elaborar uma brincadeira diferente a cada dia, pulava muros, empinava pipas, andava de skate, jogava bola, tomava chuva de verão, a sua boneca barbie durava pouco mais do que as férias pois você a utilizava para brincar com as suas amigas e não para colocá-la de enfeite na prateleira do seu quarto por falta de ter com quem brincar. O seu pai construiu o seu carrinho de rolimã, consertou o pneu da sua bicicleta inúmeras vezes. Com certeza no seu bairro deve ter existido a saudosa "rua de lazer", e lá foi construída, além de boa parte das suas amizades, a sua perspicácia para resolver situações de conflito, e o profissional brilhante que você é hoje.
Mas enquanto isso, onde estavam os seus pais?
Com certeza estavam trabalhando também, assim como você. Te avaliando de uma distância segura para que as suas perdas e frustrações fizessem parte do seu crescimento, e não tentando aniquilá-las da sua vida apenas por uma imensa necessidade de compensar a falta que eles te faziam e a insegurança de não saber muito bem que tipo de adulto você se tornaria.
E a escola, onde ficava nessa história?
Ficava exatamente onde devia, e o mais curioso, com o mesmo dever que a escola do seu filho tem hoje. O fundamento da escola não mudou, o que mudou foi a necessidade da sociedade. Nada contra as escolas de período integral, elas são necessárias sim. Mas vamos valorizar a INFÂNCIA, pois é durante essa fase que se constrói o futuro, as pessoas de bem, a imaginação, a inteligência, a segurança emocional mesmo com as faltas e as perdas.
Pra que tanto "conteúdo pedagógico", se o seu filho pode aprender muito brincando com os amigos, passeando, conversando com você no caminho da escola, na competição de natação, na aula de ballet, e ao ouvir você dizer "não" sem medo de ser repelido por ele?
Se você tem menos de 2 horas por dia para estar de fato com seu filho, olhe de frente pra ele, pergunte ao menos como foi o seu dia e deixe acontecer a sua ilustre função de pai.
Os conteúdos da escola são necessários também, e fundamentais para a vida do seu filho. Mas com um cuidado apenas: sem EXAGERO, na medida e na hora certas. A vida escolar é muito mais do que a sala de aula e a apostila, e deverá fazer parte das lembranças eternas e prazerosas da infância.
PRATIQUE, e não ESCREVA a infância.
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